segunda-feira, 18 de abril de 2011

A lembrança que vem me atormentar
E um cheiro enlaçando a minha vida
Um desejo maior que a dor sentida
Vem a noite e não deixa eu cochilar
Sem querer eu me vejo a recordar
Uma dor que passar e não tem jeito
O meu peito querendo dar defeito
E você tá aos poucos me matando
A saudade passou arrebentando
O portão de entrada do meu peito.

É você que habita em outro ninho
E não sente vontade de me ver
Por você,sem querer, vivo a sofrer
E tentando encontrar outro carinho
Você quis seguir só o seu caminho
E eu vou procurar outro sujeito
Um amor tão bonito foi desfeito
E eu vivo meu pranto derramando
A saudade passou arrebentando
O portão de entrada do meu peito.


Monique D'Angelo

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011




Às vezes me pergunto se o poeta está predestinado à solidão. Ele não tem norte, direção... Caminha sem bússola por entre matas fechadas. Vive afogado em seus mares de temores, segredos e amores. O "silêncio" das palavras é a sua arma mais poderosa. Ele faz da escrita a válvula de escape do seu desespero. Utiliza o lirismo como alimento necessário e indispensável à sua subsistência. É extremamente exigente e meticuloso em seus trabalhos. Irrita-se e alegra-se com facilidade. Chora e sorri na mesma intensidade. Ama a seriedade e o escracho. Prefere os labirintos às linhas retas. É quase sempre criticado e incompreendido. Aprisiona-se em seu próprio sonho de liberdade. Eleva-se espiritualmente mas se rende aos vícios terrenos. Aprecia as adegas e as tabacarias. Algumas vezes, ele é humilde; outras, narcisista. Não perdoa os próprios erros. Odeia a incoerência e permanece nela.

O poeta expressa seus sentimentos de uma forma tão ímpar que as emoções se sobrepõem aos seus desatinos. Tentar classificá-lo e entendê-lo é como reduzir-lhe o coração e o pensamento à mediocridade. Poetas não vieram ao mundo para serem compreendidos, mas para deixarem seu legado aos demais.

(Autor desconhecido)




ANDARILHO
Vou cantar com total atrevimento
Imitar os ciganos andarilhos
Percorrer os caminhos dos trocadilhos
Vendo louro inventar um novo invento
Misturar poesia e andamento
Construir uma estradeira
Ter um sonho normal numa esteira
Numa noite no lindo Moxotó
Caminhar nas estrelas vendo o pó
Das passadas da glosa derradeira

Imitar o pavão com suas cores
Vou vestir colorido em minha vida
Tratarei como sábio esta ferida
P’ra lembrar a loucura dos amores
Pois os loucos os grandes sabedores
Dão ao lúcido a loucura do real
Pra mostrar que o bem intencional
Faz morada em lugar bem diferente
Qualquer cor, qualquer dor é sempre gente
Sugerindo a paixão o seu aval

A tarefa é não ter nenhum caminho
P’ra encontrar o caminho do não ter
Ser irmão do bonito amanhecer
Ser agulha seguindo o seu alinho
Encontrar multidões quando sozinho
Colocar tom menor no violão
Ser maior entoando uma canção
Perceber quanto tempo falta ainda
Colocar no cabelo a fita linda
Como fosse uma estrofe de canção.

Zeto   ( Musicada)
Daqueles abraços , saudades eu sinto
Do beijo de mel, do afago mais terno
Me sinto no céu, nas brigas no inferno
Você é verdade e por você não minto
Quando você chega, me arranjo, me pinto
Eu tenho a palavra , mas não sei usar
Você é o sonho que eu quero sonhar
A cara metade, meu porto seguro
Lhe tendo ao meu lado, feliz eu me curo
Trocando carícias na beira do mar.


De ti nada escondo, nem mesmo querendo
Voce é meu tudo, meu sonho, meu guia
Quando está por perto eu sinto alegria
E quando se afasta eu fico sofrendo
Não vou lhe esquecer, nem mesmo morrendo
Na eternidade pretendo lhe amar
Voce pode até querer me deixar
Mas eu já fiquei na sua cabeça
E venha com os lábios, minha boca emudeça
Mostrando desejos na beira do mar.


Teus olhos me matam de tanto prazer
Tu és minha musica , minha poesia
Teu jeito sereno, trás paz , harmonia
Atravesso mares , querendo te ver
Venha pr’os meus braços que eu quero viver
Encontre em meus lábios mais cede de amar
Afine a viola , que eu quero cantar
Aquela canção que fiz pra você
Provando que nunca irás me esquecer
Cobrindo de amores a beira do mar.


Monique D’Angelo

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Voce pode habitar em outro ninho
E visitar ambientes que eu não vou
Trabalhar, viajar , assistir show
Sem que eu seja uma sombra em seu caminho
Se negar a aceitar o meu carinho
Não sentir mais saudade de me ver
Só não pode é no intimo do meu ser
Passar uma borracha e apagar
Voce pode pedir preu me afastar
Só não pode obrigar-me a lhe esquecer.

Só restaram do amor que foi desfeito
Os melhores momentos dessa história
As lembranças do vídeo da memória
E as promessas no cofre do meu peito
Aceitar que perdi, eu não aceito
Mas estou consciente de não ter
Nunca mais o direito de poder
Pelo menos na boca lhe beijar
Voce pode pedir preu me afastar
Só não pode obrigar-me a lhe esquecer.

Voce tem o direito de exigir
Que eu me afaste de vez da sua vida
Que não sente mais falta na dormida
Que não tem mais lembrança de sair
Mas você nem ninguém pode impedir
Que eu escute isso tudo sem sofrer
E se me ver gargalhando pode crer
Que por dentro eu não paro de chorar
Voce pode pedir preu me afastar
Só não pode obrigar-me a lhe esquecer.

Porque sua beleza não é pouca
Não existe uma replica nem seu clone
E sua voz de CD no telefone
Inda deixa minh’alma quase louca
Se outro homem beijar a sua boca
E num abraço apertado lhe prender
Se eu chegar a ver isso e não morrer
Pelo menos em coma eu vou ficar
Voce pode pedir preu me afastar
Só não pode obrigar-me a lhe esquecer.

Por mais vezes que eu lute e que ele tente
Me recuso a ouvir certos boatos
É inútil eu rasgar os seus retratos
Se você tá inteira em minha mente
Já liguei pro trabalho estava ausente
E onde estava negaram a me dizer
No de casa não quer mais me atender
Mas eu to rastreando o celular
Voce pode pedir preu me afastar
Só não pode obrigar-me a lhe esquecer.


Fiz diversas consultas no INCÓ
Pra saber o que eu tinha de verdade
O eletro acusou que era saudade
E se você não voltar fica pior
Vou mandar escrever num autdoor
Uma declaração pra você ler
Tenho tanta paixão que pra caber
Só se meu coração virasse um mar
Voce pode pedir preu me afastar
Só não pode obrigar-me a lhe esquecer.

Certamente adorá-la foi meu crime
Nem por isso eu estou arrependido
Voce pode dizer que tem marido
Que tem filho e não quer que eu me aproxime
Não existe outra pele mais sublime
E outro cheiro melhor não pode haver
Seu amor não é coisa de comer
Mas eu fico sem fome se provar
Voce pode pedir preu me afastar
Só não pode obrigar-me a lhe esquecer.

Inda tenho comigo seu cartão
Telefone , endereço, carta e foto
Lhe dei todo meu tempo e hoje noto
Que não tenho um minuto de atenção
Mergulhado no cais  da solidão
Sem nenhuma noticia receber
Prometi pra mim mesmo não querer
Nunca mais por ninguém me apaixonar
Voce pode pedir preu me afastar
Só não pode obrigar-me a lhe esquecer.

Os Nonatos
Saltei mais de mil cancelas 
Na estrada dos desenganos
Contei mais de mil palhoças,
Pequenas, pobres, singelas,
Passei por mais de mil roças,
SALTEI MAIS DE MIL CANCELAS,
Dormi em mais de mil redes,
Saciei mais de mil sedes,
Desmanchei mais de mil planos,
Fiz mais de mil amizades,
Deixei mais de mil saudades,
NA ESTRADA DOS DESENGANOS.


Passei por mais de mil cruzes,
Acendi mais de mil velas,
Divisei mais de mil luzes,
SALTEI MAIS DE MIL CANCELAS,
Mais de mil vezes chorei,
E o pranto que derramei
Valeu por mais de mil anos...
Desfiz mil sonhos queridos,
Soltei mais de mil gemidos
NA ESTRADA DOS DESENGANOS.


Ganhei mil cabelos brancos,
Fiz mais de mil sentinelas,
Venci mais de mil barrancos,
SALTEI MAIS DE MIL CANCELAS,
Escutei mil passarinhos,
Pisei mais de mil espinhos,
Padeci por mil ciganos,
Ganhei mais NÃO do que SIM,
Deixei mil partes de mim
NA ESTRADA DOS DESENGANOS.


Dedé Monteiro

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Quem cultiva a semente do perdão
Colhe os frutos do amor e do bom senso
Quem faz parte do time da razão
Não recebe cartão nem é suspenso
Vem do rio do olho o mar do pranto
Na ausência quem ama chora tanto
Que o tempero da lágrima salga o lenço.

Raimundo Nonato