quarta-feira, 8 de julho de 2009

Jessier Quirino


Umas das poesias mais famosas deste monstro da poesia popular:

PAISAGEM DE INTERIOR

Matuto no mêi da pista
menino chorando nu
rolo de fumo e beiju
colchão de palha listrado
um par de bêbo agarrado
preto véio rezador
jumento jipe e trator
lençol voando estendido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.


Três moleque fedorento
morcegando um caminhão
chapéu de couro e gibão
bodega com surtimento
poeira no pé de vento
tabulêro de cocada
banguela dando risada
das prosa do cantador
buchuda sentindo dor
com o filho quase parido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.


Bêbo lascando a canela
escorregando na fruta
num batente, uma matuta
areando uma panela
cachorro numa cadela
se livrando das pedrada
ciscador corda e enxada
na mão do agricultor
no jardim, um beija-flor
num pé de planta florido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.


Mastruz e erva-cidreira
debaixo dum jatobá
menino querendo olhar
as calça da lavadeira
um chiado de porteira
um fole de oito baixo
pitomba boa no cacho
um canário cantador
caminhão de eleitor
com os voto tudo vendido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.


Um motorista cangueiro
um jipe chêi de batata
um balai de alpercata
porca gorda no chiqueiro
um camelô trambiqueiro
avelós e lagartixa
bode véio de barbicha
bisaco de caçador
um vaqueiro aboiador
bodegueiro adormecido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.


Meninas na cirandinha
um pula corda e um toca
varredeira na fofoca
uma saca de farinha
cacarejo de galinha
novena no mês de maio
vira-lata e papagaio
carroça de amolador
fachada de toda cor
um bruguelim desnutrido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.


Uma jumenta viçando
jumento correndo atrás
um candeeiro de gás
véi na cadeira bufando
radio de pilha tocando
um choriço, um manguzá
um galho de trapiá
carregado de fulô
fogareiro abanador
um matador destemido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.


Um soldador de panela
debaixo da gameleira
sovaqueira, balinheira
uma maleta amarela
rapariga na janela
casa de taipa e latada
nuvilha dando mijada
na calçada do doutor
toalha no aquarador
um terreiro bem varrido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.


Um forró de pé de serra
fogueira milho e balão
um tum-tum-tum de pilão
um cabritinho que berra
uma manteiga da terra
zoada no mêi da feira
facada na gafieira
matuto respeitador
padre, prefeito e doutor
os home mais entendido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.


Arquiteto por profissão, poeta por vocação, matuto por convicção. Apareceu na folhinha no ano de 1954 na cidade de Campina Grande, Paraíba e é filho adotivo de Itabaiana também na Paraíba, onde reside desde 1983. Filho de Antonio Quirino de Melo e Maria Pompéia de Araújo Melo e irmão mais novo de Lamarck Quirino, Leonam Quirino, Quirinus Quirino e irmão mais velho Vitória Regina Quirino. Estudou em Campina Grande até o ginásio no Instituto Domingos Sávio e Colégio Pio XI. Fez o curso científico em Recife no Esuda e fez faculdade de Arquitetura na UFPB – João Pessoa, concluindo curso em 1982. Apesar da agenda artística literária sempre requisitada, ainda atua na arquitetura, tendo obras espalhadas por todo o Nordeste, principalmente na área de concessionárias de automóveis. Na área artística, é autodidata como instrumentista (violão) e fez cursos de desenho artístico e desenho arquitetônico. Na área de literatura, não fez nenhum curso e trabalha a prosa, a métrica e a rima como um mero domador de palavras. Interessado na causa poética nordestina persegue fatos e histórias sertanejas com olhos e faro de rastejador. Autor dos livros: “Paisagem de Interior” (poesia), “Agruras da Lata D`água” (poesia), “O Chapéu Mau e o Lobinho Vermelho” (infantil), “Prosa Morena” ( poesia e acompanha um pires de CD ), “Política de Pé de Muro - O Comitê do Povão” ( legendas e imagens gargalhativas sobre folclore político popular ), CDs: “Paisagem de Interior 1 e Paisagem de Interior 2”, o livro: “Bandeira Nordestina” (poesia e acompanha um pires de CD), A Folha de Boldo Notícias de Cachaceiros - em parceria com Joselito Nunes – todos editados pelas Edições Bagaço do Recife - além de causos, músicas, cordéis e outros escritos. Preenchendo uma lacuna deixada pelos grandes menestréis do pensamento popular nordestino, o poeta Jessier Quirino tem chamado a atenção do público e da crítica, principalmente pela presença de palco, por uma memória extraordinária e pelo varejo das histórias, que vão desde a poesia matuta, impregnada de humor, neologismos, sarcasmo, amor e ódio, até causos, côcos, cantorias músicas, piadas e textos de nordestinidade apurada. Dono de um estilo próprio "domador de palavras" - até discutido em sala de aula - de uma verve apurada e de um extremo preciosismo no manejo da métrica e da rima, o poeta, ao contrário dos repentistas que se apresentam em duplas, mostra-se sozinho feito boi de arado e sabe como prender a atenção do distinto público. Nos espetáculos com fundo musical, apresenta-se acompanhado de músicos de primeira grandeza, entre os quais, dois filhos, que dão um tom majestoso e solene ao recital. São eles: Vitor Quirino (violão clássico), André Correia (violino) e Matheus Quirino (percussão). Os músicos Letinho (violão) e China (percussão) atuam nos espetáculos mais elaborados. Apesar de muitos considerá-lo um humorista, opta pela denominação de poeta, onde procura mostrar o bom humor e a esperteza do matuto sertanejo, sem, no entanto fugir ao lirismo poético e literário. Sobre Jessier, disse o poeta e ensaísta Alberto da Cunha Melo: "...talvez prevendo uma profunda transformação no mundo rural, em virtude da força homogeneizadora dos meios de comunicação e das novas tecnologias, Jessier Quirino, desde seu primeiro livro, vem fazendo uma espécie de etnografia poética dos valores, hábitos, utensílios e linguagem do agreste e do sertão nordestinos. ... Sua obra, não tenho dúvidas, além do valor estético cada dia mais comprovado, vai futuramente servir como documento e testemunho de um mundo já então engolido pela voragem tecnológica."

terça-feira, 7 de julho de 2009

Antônio Pereira de Morais nasceu em 13 de Novembro de 1891,em Livramento-PB.Viveu toda infância e mocidade no sítio Jatobá,Município de Itapetim,onde constituiu família.Desenvolveu trabalhos na agricultura e na pecuária,bem como atual como poeta.Faleceu em 07 de Novembro de 1982,em Itapetim.Era tratado carinhosamente como "poeta da saudade".Eis uma de suas obras marcantes.

MEUS VERSOS:MINHAS SAUDADES(Só algumas estrofes)

Já ensinei aos de lá
Que escardasse a semente
Só plantasse ao meio dia
Na hora do sol bem quente
Que se plantar no molhado
Quando nascer mata gente.

Saudade adepois de morta
Inda nasceu e dou a prova
Quem duvidar plante e faça
Um fogo em cima da cova
E com três dias vá ver
Se a saudade não renova.

Saudade é um parafuso
Tendo na rosca não cai
Só entra se for torcendo
Porque batendo num vai
Depois que enferrujar dentro
Nem distorcendo não sai.

Antônio Pereira

Por:Monique D'Angelo
Vicente José Maria,nasceu em 08 de dezembro de 1911,no sítio Juá,Municipio de Itapetim.Passou sua existência escrevendo Poesia.Também desenvolveu seus trabalhos na agricultura para mautenção da família.Dentre as muitas belas poesias que compôs está o"VERSO DA ESPERANÇA".Faleceu em 26 de junho de 1967 em Itapetim.Vicente José era conhecido popularmente como Vicente Preto.

VERSO DA ESPERANÇA(Só algumas estrofes)

Relativo à esperança
Como forte baluarte
Falo numa terça parte
Do que tu tens na lembrança
Eu era muito criança
Passava pra São Vicente
Ali naquele ambiente
Era verdejante Prado
Quem já fostes no passado
Hoje quem és no presente

Galinha,peru e pato
Cachaça,manteira e gordura
Leite,queijo e rapadura
Talheres,prateleira e prato
Um relógio muito exato
Marcando diariamente
Um papagaio na corrente
Um arvoredo encostado
Quem já fostes no passado
Hoje quem és no presente

Já fostes esperança bela
Hoje não tens um garrote
Nenhum rebanho,nem um lote
Nenhum cavalo de sela
Fecharam porta e Janela
Não tem mais bicho nem gente
Quem conheceu antigamente
Hoje se diz amargurado
Quem já fostes no passado
Hoje quem és no presente

Vicente Preto

Por:Monique D'Angelo,pra quem não conhece "ESPERANÇA"é um sítio.

segunda-feira, 6 de julho de 2009


Vim do ventre materno e me criei

Nesse Ventre Imortal da Poesia

Sou poeta e matuto, disso eu eu sei

Mas estar hoje, aqui, eu não sabia

Doutra terra, se eu fosse, amava enfim

Mas Jesus escolheu ESTA pra mim

E só o fato de eu ser de Itapetim

Já recebo homenagem todo dia!!!!!!


José Adalberto

Por:Monique D'Angelo

LEVO ITAPETIM NO PEITO!!!

A QUALQUER LUGAR QUE EU VÁ

ITAPETIM VAI COMIGO

QUEM QUISER SER MEU AMIGO

DIGA QUE GOSTA DE LÁ!

TERRA QUE CRIOU “JOVÁ”

SORRIU COM “SEU JOAQUIM”

FAZ TUDO DE BOM POR MIM

POR ISSO É QUE TODO DIA

ARMADO DE POESIA

EU DEFENDO ITAPETIM!!!


José Adalberto

Por:Monique D'Angelo

EDEN DA POESIA
Esta "Terra",é sem dúvida,a prometida
Como aquela que Deus fez um jardim
Deus criou cé e terra e tudo mais
Que a origem do mundo foi assim
Em seis dias ,no sétimo ,descandou
Eu sou penso que Deus nos enganou
E descansou pra fazer ITAPETIM.

José Adalberto

Por:Monique D'Angelo